Essa frase do dia poderosa tem uma origem bastante profunda. O jovem estudante de 18 anos Fiódor Dostoiévski escreveu uma carta para o seu irmão, Mikhail, em agosto de 1839, após enterrarem o pai. Ele estava se preparando para seguir a carreira militar, mas pensava bastante sobre a própria natureza humana. Questões como "o que nos move?", "o que nos faz ser como somos?" e "por que alguém pode amar e destruir?" eram algumas das que passavam pela cabeça do jovem.
Em uma de suas grandes inquietações, surgiu esta grande frase que impacta até hoje: "O homem é um mistério. É preciso decifrá-lo, e se você passar a vida inteira tentando decifrar, não diga que perdeu tempo. Eu me ocupo desse mistério porque quero ser um homem".
Ainda bem que este impulso de Dostoiévski continuou sendo seguido por ele, pois se tornou um grande pensador e autor de personagens que nos ajudam até os dias de hoje a nos compreender - e aos outros também.
Um dos personagens mais marcantes do autor é Raskólnikov, de sua obra clássica "Crime e Castigo". Ele nos faz entrar na mente daquelas pessoas que sempre tentam justificar o que não é justificável. Dostoiévski faz com que algumas coisas que nós acreditamos ser seguras não pareçam mais tão certas.
Outro personagem marcante é Ivan Karamázov, de "Os Irmãos Karamázov". Esse homem cético é completamente torturado pelo sofrimento inocente, sendo um ser com uma carga psicológica bastante profunda. Porém, o romance não conta o que está por trás de tudo isso.
Dostoiévski passou por muitos momentos marcantes em sua vida. Ele chegou a ser colocado diante de um pelotão de fuzilamento por traição e, apesar de ter sobrevivido, foi condenado à Sibéria. Isso fez com que o autor passasse a enxergar a vida como nunca antes, cultivando um amor pela liberdade. Sua história trouxe nele a reflexão do desejo de desfrutar todos os dias que achou que fossem ser perdidos.
“Colombo não foi feliz quando descobriu a América, mas sim enquanto a descobria”, escreveu o pensador. Assim, ele concluiu que o importante é o caminho, o ato de viver. Existe uma cena no filma "Clube da Luta", de David Fincher, em que o protagonista está prestes a executar um funcionário de posto de gasolina, mas desiste com a condição de que o homem volte a estudar e dê um propósito para a sua vida.
Essa cena traz uma reflexão: no momento em que você acha que a vida está chegando ao fim, você consegue o impulso que pode te levar a fazer algo melhor da sua vida. Trata-se de um grande debate com muitas opiniões diferentes envolvendo a moralidade da situação.
A obra de Dostoiévski traz nuances profundas sobre a liberdade e a responsabilidade que cada pessoa deve lidar. Sua mensagem é que o ser humano não pode ser explicado em uma única formula. Somos seres complexos e, mesmo que tenha um fator genético que nos diga como podemos ser fisicamente e até influenciar alguns aspectos do nosso jeito, a verdade é que não sabemos do que seremos capazes até que sejamos colocados em uma situação limite.
Um dos personagens de Dostoiévski diz uma frase bem marcante: "A razão não é nada além da razão". Isso quer dizer que nós podemos até saber o que é bom para nós, mas isso não nos impede de fazer o oposto em alguns casos. Ou seja: podemos desejar o bem e ter boas intenções, mas ainda assim nos sabotar da mesma maneira.
Existem coisas você não diz a ninguém, outras diz só a si mesma e algumas você tem até medo de dizer a si mesmo, segundo o autor. Essa canto oculto da mente mostra que ninguém se conhece por completo, e somos sempre um grande mistério até para nós mesmos.
As obras e os pensamentos de Dostoiévski serviram de inspiração para muitos autores e filósofos que surgiram depois dele. Um deles é Sigmund Freud, que não só leu e estudou o pensador, como até mesmo o dedicou um ensaio inteiro chamado "Dostoiévski e o Parricídio". No texto, ele analisa sua obra, encontrando análises profundas sobre a mente humana. Ele também falou sobre culpa, desejo e conflitos familiares.
Dostoiévski também foi citado pelo polêmico Nietzsche. "Dostoiévski foi o único psicólogo com quem tive algo a aprender", afirmou em "Crepúsculo dos Ídolos". Trata-se de um grande feito, visto que Nietzsche não era conhecido por sair elogiando os outros.